sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uma lápide para Seu Dejair Coelho

Perguntou-me o nome. Uma audácia, sem dúvida. Pus sobre minha fronte todo o peso que consegui reunir e lhe disse:
― Veja bem, o que você realmente quer saber? Eu posso, desse seu questionamento, retirar duas interpretações bastante distintas entre si, que exigem respostas tão diferentes quanto específicas. Primeiramente, a mais usual: você poderia estar me perguntando o nome, o que, neste caso, envolveria apenas uma questão prática: bastaria a mim lhe responder. No entanto, seguindo uma segunda interpretação, uma vez sabendo meu nome, você adquiriria o poder de me condensar em uma só palavra. Entende? Não posso permitir isso. Portanto, devo-lhe responder que meu nome foi, há certo tempo inclusive, sepultado sob um de meus pré-molares.

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